O dólar ainda não encontrou um motivo para um movimento forte. Os grandes participantes do mercado não querem abrir posições antes de um evento que pode mudar tudo e preferem aguardar. Esse evento já está no horizonte: amanhã, o BCE elevará sua taxa para 2,5%, e é justamente essa perspectiva que atualmente mantém o mercado em estado de paralisação.

Esta manhã foi divulgado o relatório de produção industrial da França, e o resultado foi decepcionante. A produção voltou a recuar, com a fraqueza afetando praticamente todo o setor manufatureiro. A fabricação de equipamentos de transporte foi o segmento mais fraco, registrando queda pelo segundo mês consecutivo, enquanto a produção de metais, produtos químicos e farmacêuticos e eletrônicos também diminuiu. A indústria alimentícia permaneceu praticamente estagnada. Houve alguns setores em crescimento no relatório, mas não convém confiar demais neles. O refino de petróleo aumentou, mas isso parece mais um repique após o colapso anterior do que uma reversão sustentável. A mineração e a produção de energia atingiram o nível mais alto desde o fim de 2021, mas a economia não merece crédito por isso.
A França foi atingida por uma segunda onda de calor em julho, levando as pessoas a ligar os aparelhos de ar-condicionado e fazendo a demanda por eletricidade disparar. Isso significa que o único segmento da indústria francesa que cresce de forma consistente está sendo sustentado pelo clima. Para um banco central que apertará a política monetária amanhã, esse é mais um lembrete de quão frágil é o núcleo industrial da zona do euro.
A agenda dos EUA está leve após o almoço, e a única divulgação relevante é a variação semanal do emprego da ADP. Esse indicador reflete o que está acontecendo com o emprego neste momento e costuma afetar as expectativas em relação aos juros do Federal Reserve. Contudo, considero seu peso baixo hoje. Os meses recentes mostraram que até mesmo leituras fortes do mercado de trabalho não geram ganhos para o dólar, pois o mercado está mais focado na inflação do que no emprego. Um relatório forte provavelmente terá pouco impacto, enquanto um relatório fraco aumentaria a pressão sobre o dólar, mas apenas temporariamente.
Para o euro e a libra, isso significa que não há hoje uma ameaça séria vinda da moeda norte-americana. Ambos os pares podem permanecer dentro de suas faixas habituais, e não espero um movimento brusco em resposta ao ADP.
Momentum
Aqui, entramos no mercado depois que o preço ultrapassou com convicção um nível importante, acompanhando um movimento que já está estabelecido.
Para o euro, observo 1,1657 no lado de alta. Um rompimento acima desse nível abre caminho para 1,1673 e, depois, 1,1690. Esse cenário pode se desenvolver em caso de dados fracos da ADP, quando o dólar recuar um pouco, mas eu não esperaria um movimento forte, já que os compradores estão agindo com cautela antes da reunião. Por outro lado, o nível-chave é 1,1640; um rompimento abaixo dele aponta para 1,1620 e 1,1588. Esse cenário pode ocorrer se o mercado levar em conta os dados da França e decidir reduzir as posições em euro antes de amanhã. Em ambos os casos, entro apenas após uma consolidação além do nível, e não no primeiro toque, pois, em uma sessão calma, é muito comum ocorrer um rompimento breve seguido de um retorno rápido.
Para a libra, o nível de alta é 1,3573, com um rompimento levando o par em direção a 1,3596 e 1,3620. Por outro lado, 1,3550 é o nível-chave, com alvos em 1,3530 e 1,3505. A moeda britânica não tem notícias domésticas hoje, portanto está apenas seguindo o dólar. Este é um ponto importante para iniciantes: quando um par não tem um catalisador específico próprio, seu movimento é sempre secundário e deve ser explicado pela segunda moeda, e não pela primeira.
Reversão à Média
Operamos contra aqueles que se precipitaram na ruptura. O preço ultrapassa um nível, não encontra lá um interesse significativo de compra ou venda e retrocede, enquanto o fechamento das posições malsucedidas o empurra ainda mais para frente.
Para o euro, o nível de referência para cima é 1,1663. Procuro vendas não quando o preço ultrapassa esse nível, mas depois que uma tentativa de consolidação acima dele fracassa e a cotação retorna para baixo. A fronteira inferior é 1,1635, onde, seguindo o mesmo princípio, procuro compras depois de uma tentativa malsucedida de empurrar o mercado para baixo. Prefiro essa abordagem à estratégia de rompimento hoje, e a razão é simples: o mercado está praticamente parado, em antecipação ao dia de amanhã, e, nessas condições, os movimentos além dos limites da faixa são mais frequentemente falsos rompimentos do que rompimentos genuínos.
Para a libra, os níveis são 1,3585 no lado da alta e 1,3547 no lado da baixa. A abordagem é a mesma. Coloco o stop além do ponto extremo do falso rompimento, em vez de posicioná-lo atrás de um nível redondo próximo, porque sempre há muitos traders no mercado buscando esses níveis óbvios.